JMJ comBosco 55 : Duarte Ricciardi apresenta o caminho de preparação para a JMJ Lisboa 2023

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No JMJ comBosco desta semana, Henrique Laureano e Mariana Lagoas recebem Duarte Ricciardi, Secretário Executivo da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

Nesta edição, Duarte Ricciardi falou sobre o que já foi feito até ao momento e sobre o que ainda falta fazer até à Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, destacando sempre o seu empenho e motivação para “responder às expetativas e aos planos de Deus”.

Formado em Gestão, o Secretário Executivo aponta como principais desafios, até ao momento, a “incerteza devido à pandemia de COVID-19”, bem como “os constrangimentos iniciais de formar uma grande equipa, através dos meios digitais”.

Para Duarte Ricciardi, o nosso país está preparado para receber um evento como a Jornada Mundial da Juventude: “Portugal tem todas as características e todas as competências para receber um evento desta dimensão”.

Enfatizando que está será “uma Jornada simbólica”, pois vai acontecer num “momento único” para o mundo inteiro, Duarte Ricciardi convida todos os jovens a prepararem-se para o que vão viver: “venham de coração aberto, pois esta vai ser uma oportunidade única para se encontrarem com outros jovens, com o Santo Padre, com Deus e também convosco”, conclui.


Mariana – No programa de hoje, temos connosco um convidado especial, o secretário executivo da JMJ Lisboa 2023, Duarte Ricciardi.

Henrique – Duarte, como é ser o secretário executivo da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023, e que sentimentos de responsabilidade é que tens em relação a este cargo?

Duarte – É uma graça enorme e uma grande oportunidade, poder fazer parte deste evento tão grande, de algo que é muito maior do que eu e do que todos nós, que fazemos parte da organização.

É um convite que agradeço muito, porque era algo que não estava nos meus planos, nunca tinha pensado estar neste lugar, e de facto, é único.

É um projeto que vai ser um marco importante na história moderna de Portugal e da Igreja e sobretudo, é um projeto que chega ao coração de muitas pessoas, que vai fazer bem a muita gente, e, portanto, é de facto uma graça poder estar dentro da organização e fazer este caminho até à Jornada.

É uma grande responsabilidade, sem dúvida, sobretudo pela expectativa que existe na Jornada, pela grandiosidade do evento e pela tentativa de corresponder ao que são os planos de Deus. Penso que essa é a nossa grande responsabilidade, pôr o plano de Deus à frente e tentar discernir e encontrar o caminho através da oração e da Sua orientação.

Mariana – Como é que surgiu este convite? E como é que te sentiste quando o recebeste?

Duarte – O convite surgiu num contexto de trabalho, num almoço com o meu chefe. Na altura, perguntou-me se eu queria assumir este lugar, disse-me que tinha pensado em mim, em conjunto com o Sr. Cardeal-Patriarca e o D. Américo Aguiar. Foi uma grande surpresa, no entanto, foi algo que aceitei muito rápido porque senti, desde a primeira conversa, que era uma oportunidade única de pertencer a uma coisa boa, muito grande.

Henrique – Duarte, de que forma é que a tua formação em gestão, está a ajudar nesta grande missão que é coordenar a organização da JMJ, em Lisboa, no próximo ano?

Duarte – A minha formação em gestão ajuda na parte mais prática, na coordenação das equipas, na comunicação entre as pessoas, ajuda-me a garantir que a informação flui, que os processos existam, que os cronogramas existam e que a forma de governo e de tomada de decisão vá ficando cada vez mais ágil. Há muitas experiências quer seja da minha formação, seja dos trabalhos que eu tive anteriormente, que são muito úteis.

Mariana – Até agora, quais têm sido os principais desafios que tens enfrentado?

Duarte – Os principais desafios são as incertezas que temos tido ao longo do tempo. Primeiro, o evento era em 2022, depois passou para 2023, e, por causa da covid, não sabíamos se teríamos que fazer uma Jornada digital. Houve muita incerteza durante muito tempo associada ao contexto mundial que vivemos.

Por outro lado, e também nessa fase da covid, a preparação da Jornada não pôde ser feita fisicamente e estávamos a montar uma equipa com muitos envolvidos, a trabalhar desde o início, mas não podíamos promover encontros presenciais, o que levou a que nos fôssemos conhecendo através dos meios digitais que, em termos do contacto pessoal, nem sempre são o melhor para criar vínculos e trabalhar em conjunto.

Desde que pudemos começar a ter presença humana, agora também, na sede, tem sido muito bom, porque o espírito tem sido cada vez mais próximo, e as pessoas estão cada vez mais entusiasmadas. Foi um desafio inicial, que, entretanto, teve uma ótima evolução.

Henrique – Logisticamente, Portugal está preparado para receber um encontro tão grande como a Jornada Mundial da Juventude?

Duarte – Sim, Portugal está preparado com todas as características e todas as competências necessárias para organizar um evento desta escala.

Na preparação da Jornada, nós fazemo-lo sempre com as autoridades competentes em cada uma das áreas da parte da segurança. É trabalhar em conjunto, mas com as empresas especializadas. Portanto, existem todos os meios e todas as competências para poder fazer este trabalho e o que falta, neste momento, é uma construção de cada um de nós.

Estamos no bom caminho para daqui a alguns meses termos tudo preparado e estamos perfeitamente prontos para receber todos os jovens que quiserem vir à Jornada Mundial da Juventude.

Mariana – E o que é que, pessoalmente, esperas desta JMJ?

Duarte – Eu espero que seja um momento único e transformador, de comunhão e de esperança, para todos os jovens e para todas as pessoas que participarem.

Eu sei que isto é uma frase muito fácil de dizer, mas acredito mesmo, que no momento em que o mundo está, com tudo o que nós, no mundo inteiro, passámos nos últimos anos, que este momento vai ser especial, mesmo para o nível da Jornada Mundial da Juventude, que já é sempre especial.

Penso que a Jornada de Portugal vai ser especialmente simbólica, porque vai acontecer num momento do tempo muito especial, único, e, portanto, acredito mesmo que vai ser uma experiência transformadora para todos, tenho essa esperança.

Henrique – Duarte, na tua opinião, qual é que é o papel da JMJ na evangelização do mundo juvenil?

Duarte – Na minha opinião, o papel da Jornada na evangelização do mundo juvenil, tem a ver com a própria Jornada. É aquele momento de encontro em que os jovens se entusiasmam na fé e que estão com o Santo Padre a viver uma experiência muito forte, que depois lhes dá energia para os tempos seguintes. Mas, também, tem muito a ver com a preparação, com a forma como enfrentamos as dificuldades, como obriga, também, a Igreja a articular-se com as entidades fora da mesma.

É um processo que só é possível se estivermos todos no mesmo barco e se isso for, de facto, um desígnio nacional e, muitas vezes, até mundial. Esta necessidade de encontro, é uma das maiores formas em que a Jornada atua na evangelização e na união da Igreja.

Mariana – Como é que é possível convocar todos os jovens para este grande encontro? O que é que está a ser feito nesse sentido?

Duarte – Convocar todos os jovens para este encontro, é um dos nossos grandes objetivos. Queremos que todos os jovens, do mundo inteiro, independentemente do seu contexto e religião, se sintam convidados a estar na Jornada Mundial da Juventude e isso, obviamente, não é fácil.

Tentamos chegar a todos, mas não temos muitos recursos e, portanto, o que fazemos é sobretudo através da rede da própria Igreja espalhada pelo mundo, das redes sociais e de visitas pessoais que fazemos a alguns países, tentando, ao máximo, ir ao encontro de todos os jovens para os convidar, olhos nos olhos, coração no coração, a estar na Jornada Mundial da Juventude.

Esta comunicação depende muito de parcerias, seja em Portugal, seja no mundo. Depende de pessoas que partilhem os seus testemunhos, de convites de quem já participou numa Jornada, aos seus amigos, e da partilha de entusiamo, para que quem se entusiasma, possa entusiasmar os outros.

Henrique – Esta Jornada é a primeira edição pós pandemia. Com todas as restrições que isso possa acarretar ou não, quantos jovens é que se esperam em Lisboa?

Duarte – É uma edição pós-pandemia, com todas as restrições, mas também com todo o entusiasmo que isso possa gerar.

As pessoas passaram por tempos em que não se podiam encontrar e que tinham muitas restrições e agora vemos, de repente, uma grande vontade de encontro, de viajar e, portanto, é uma edição que especialmente é incerta em termos de número de participantes.

Já temos mais de 300.000 pessoas que iniciaram a sua inscrição, mas não sabemos onde é que esta curva vai acabar, se estes números se vão manter ou baixar. Temos muitos feelings mistos e não sabemos bem o que é que vai acontecer, mas estamos a preparar tudo para conseguir acolher todos os jovens que se querem inscrever.

Mariana – E em relação aos locais onde irão decorrer os atos centrais, já existem certezas de onde serão? O que é que nos podes revelar?

Duarte – O único local que está oficialmente confirmado é o Parque Tejo, o local onde vai ser a missa final e a vigília.

Tem-se falado bastante de alguns espaços, mas ainda faltam algumas peças logísticas para confirmar que será mesmo ali, nomeadamente o plano de mobilidade, que é aquilo que nos vai dizer como é que os peregrinos se vão mover ao longo da Jornada, e como estamos a falar de milhares de pessoas, este plano é especialmente relevante e vai ser uma condicionante para ter de confirmar estes locais.

Henrique – Esta vai ser a primeira edição para nativos digitais, a organização tem conseguido acompanhar os tempos e chegar aos jovens pelos canais a que eles estão habituados?

Duarte – Nós queremos muito acompanhar os tempos e temos feito muita da nossa comunicação através dos canais nas redes sociais, que têm sido o nosso principal meio de comunicação.

Estamos, também, a preparar uma app para a Jornada que vai ajudar, no fundo, o peregrino a orientar-se durante a semana. No entanto, queremos que o aspeto digital complemente a experiência física, porque a Jornada Mundial da Juventude é o encontro pessoal das pessoas entre si e com o Santo Padre e, portanto, não queremos que o digital seja uma distração para os jovens, mas sim que os ajude a viver ainda mais intensamente este encontro.

Mariana – O COL, Comité Organizador Local, está verdadeiramente empenhado para que esta seja uma JMJ mais sustentável. Que iniciativas já foram tomadas e que outras poderemos esperar que demonstrem a grande preocupação para com a nossa casa comum?

Duarte – Queremos que esta Jornada Mundial da Juventude seja sustentável e, por isso, temos envolvido muitos parceiros que trabalham nestas áreas de sustentabilidade. Fizemos um compromisso, em conjunto com eles, com iniciativas para compensar a pegada ecológica, como por exemplo, a plantação de árvores.

A ecologia tem tido um peso muito grande, inclusive no tema pastoral que queremos que os jovens debatam e pensem durante aquela semana. Portanto, este aspeto vai ser importante para eles, não só por isto, mas também, porque é um dos aspetos importantes para o Santo Padre.

Henrique – Por fim, pergunto que mensagem queres deixar aos jovens que estão, desde já, a preparar a sua participação na JMJ Lisboa 2023?

Duarte – A todos os jovens, espero que, de facto, possam aproveitar este grande momento, este grande evento da história de Portugal e do Mundo.

Nós, vamos estar aqui a fazer de tudo para vos receber da melhor maneira possível, para que, tecnicamente, tudo esteja assegurado e se possam preocupar, sobretudo, em estarem juntos, rezar e encontrarem-se a si próprios, a Deus e aos outros.

Venham de coração aberto e aproveitem cada dia e cada minuto.

Mariana – Duarte, muito obrigada pelas tuas palavras.

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